quinta-feira, 12 de julho de 2018

A onça e o veado

Domínio público – Tesouro da Juventude 




















Disse um dia o veado: “Vou tratar de escolher um bom lugar para fazer a minha casa”.
Foi pelas margens de um rio e escolheu o lugar.
A onça disse também no mesmo dia: “Vou escolher um lugar bom para fazer a minha casa”.
Saiu e foi dar no mesmo ponto que havia sido escolhido pelo veado, e tomou nota do lugar.
No dia seguinte, veio o veado, roçou e capinou. Depois foi-se embora.
No outro dia, chegou a onça. Viu tudo roçado e capinado. “É Deus que está me ajudando”, disse. Fincou quatro paus e armou a casa.
No dia seguinte, voltou o veado e, vendo a casa armada, disse também: “É Deus que está me ajudando”. E cobriu a casa, bem coberta.
Quando a onça chegou, no dia seguinte, viu a casa pronta e mudou-se para ela. Deitando-se num quarto, disse: “Foi Deus mesmo que me ajudou”.
Chegou o veado no outro dia e ocupou o outro quarto.
De manhã, quando acordaram, viram-se um ao outro, e a onça perguntou ao veado: “Era, então, você que me estava ajudando?”
O veado respondeu: “Era eu mesmo. Também não sabia que era você que me estava ajudando”.
Combinaram, então, ficar morando juntos.
A onça disse ao companheiro: “Vou caçar. Enquanto isso você limpe os tocos e apronte água e lenha, que eu hei de voltar com fome”.
Saiu a onça, andou pelos matos, matou um veado muito grande e, pondo-o à porta da casa, disse ao companheiro: “Prepare isso para nós comermos”.
O veado preparou mas não comeu, e ficou apavorado.
Mas no outro dia, o veado saiu para caçar. Viu primeiro uma onça muito grande e depois um tamanduá. Disse, então, ao tamanduá: “A onça está ali falando mal de você!”
O tamanduá foi devagarinho, encontrou a onça grande arranhando um pau e, chegando por detrás, ferrou-lhe um abraço e matou-a.
O veado apanhou o corpo da onça, depositou-o à porta da casa e disse à companheira: “Prepare isso para nós jantarmos”.
A onça preparou mas não jantou. Estava, agora, com medo do veado.
De noite, nenhum dos dois pode dormir, a onça espiando o veado e o veado espiando a onça.
À meia-noite, a cabeça do veado bateu num pau e fez “tá!”. A onça, pensando que o veado queria matá-la, deu um pulo. O veado, pensando também que a onça vinha para o lado dele, assustou-se e correu. E ambos saíram correndo, cada qual para um lado, e nunca mais se encontraram.

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