domingo, 30 de julho de 2017

Boemia

Garoeiro – Natal, RN, 30 de julho de 2017.









Bêbados de igual infelicidade,
Bebem seu ser feliz a qualquer preço,
Querendo-me nessa comunidade
Da opção embriagada de avesso.

Dando inclusive a desculpa da idade,
Nego-lhes embarque e não permaneço:
Feliz a qualquer preço é uma vontade
Que fere a nossa dor com desapreço.

Nego a indiferente fuga bacante
Da solidariedade delirante,
Nas mesas da embriaguez contente.

E escapando da noite que extravasa,
Sozinho eu volto andando para a casa,
Vivendo infeliz mas consciente...

sábado, 29 de julho de 2017

Revista Veia Magazine...

















Amor que jaz...

Garoeiro – Natal, RN, 29 de julho de 2017.












No peito a erupção do amor inscreve
Desejo incandescente de fornalha,
Em decisão que nada a ninguém deve,
Numa certeza de impossível falha.

Mas o poder da tradição prescreve,
No rol de suspeições que embaralha,
Aquela ardência passageira e breve,
Fosse a chama do amor fogo de palha.

Amar é até hoje um desafio
Disposto no cuidado doentio,
Opondo ao risco a salvação esquiva.

Por mau pudor se fecha, se defende,
Evita ousar ante o que mais pretende,
Amor que jaz de amor na defensiva...

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Mulheres

Garoeiro – Natal, 28 de julho de 2017.











Cai só a herança da maternidade,
Sobre a mulher com seus grilhões de anos,
Na mais pesada causa de seus danos,
Dentro da lei da hereditariedade.

Ovário, reprodutibilidade,
Que a tradição vive a cobrir de ufanos,
É o jogo que opressores veteranos
Impomos à mulher sem piedade.

Opressão que jamais a História lava,
Daquela eterna condição de escrava,
Parindo, louca, o futuro na dor.

Constatação que indiferente a filhos,
Tanto me faz amar fora dos trilhos,
Dando às mulheres todo o meu amor!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A esperança do náufrago...

Garoeiro – Natal, RN, 27 de julho de 2017.













Sobre a navegação do nosso amor tão bela,
Pairando céu de inveja, intriga, encoberto,
Na luminosa rota a me cegar decerto,
Gritei quando o convés encheu-se na procela.

Sem ver porto distante mais da caravela,
Sentindo o anseio do profundo que está perto,
Fui afogando ousar manifestar-me aberto,
Tal náufrago a acenar para a ilusão da vela.

Pois procuro na ruína que em mim desaba,
Raro bem que chegando ao fim jamais acaba,
Volvendo a volúpia que me conduz a esmo,

Além gozar, em vez de dedicar descaso,
Aquele amor que não deu certo por acaso,
E por acaso nos amarmos assim mesmo...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Como Lima disse adeus...

Lima  Barreto
























Carlos Faraco
[ Post de 11 de agosto de 2012, que volta a pedidos, muito a propósito... ]

- Caía a tarde, feito um viaduto,
  E um bêbado trajando luto
  Me lembrou Carlitos...

Não começou, mas poderia ter começado assim, em tom de lamento, o testemunho de Enéias Ferraz, o amigo de Lima Barreto que o viu na cidade pela última vez.
Era o ano do centenário da Independência e Afonso Henriques tinha saído da Vila Quilombo para assistir os festejos do 7 de Setembro.
Naquele feriado nacional o escritor andara o dia todo em visita aos lugares que costumava frequentar no centro do Rio.
Enéias Ferraz encontrou o mestre, que “tinha o rosto contrafeito, um olhar duro mas brilhante”.

E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas.
Que sufoco!

Sufoco na voz de Lima Barreto:
- As pernas doem, tenho o corpo alquebrado e, entretanto, sinto quase um prazer em continuar a andar.

Louco,
Um bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil,
Meu Brasil...

O bêbado louco nunca usara chapéu-coco. De palha sim, quase sempre. Faltava-lhe também ânimo para novas irreverências. Não tinha feito outra coisa durante boa parte de sua vida, por conta da consciência de que as coisas andavam mal na sua alma, na sua casa, na sua cidade, no seu país...
Lima Barreto despediu-se e continuou andando rumo à Central do Brasil, para tomar o trem de volta ao subúrbio. Certamente, como Quaresma, pensava nos seus Brasis: naquele que sonhara e naquele do sufoco.
Pouca gente o viu depois daquele 7 de setembro.
No dia 1º de novembro, Evangelina entrou no quarto do irmão, trazendo-lhe uma refeição. Ao voltar, uma hora depois, encontrou-o morto.

Chora
A nossa pátria-mãe gentil...

Uma chuvinha miúda e persistente molhava a Vila do Quilombo, onde se velava o corpo de Lima Barreto.
Mas era chuva mesmo. A pátria-mãe não o chorava, não. A pedra, até o final, tinha-lhe obstruído o caminho do reconhecimento público.

Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil...

À noite começaram a chegar para o velório as Marias e as Clarisses, os Joões e os Pedros, e tantos outros humildes desconhecidos, sem sobrenome ilustre, de quem ele se fizera amigo nas suas andanças e nas mesas de botequim. Era como se personagens saltassem de seus livros para a sala do velório.
Um desses “personagentes” chegou perto do caixão, descobriu o rosto do defunto e beijou-lhe a testa. A família quis saber quem era.
-Não sou ninguém, minha senhora. Sou um homem que leu e que amou esse grande amigo dos desgraçados.
Pelo menos um joão-ninguém tinha sido contagiado pelo poder daquela literatura feita na contramão.
Para Lima Barreto tinha acabado a esperança de atingir em vida a glória literária.

Mas sei
Que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente...

Não, certamente não foi inútil o trabalho de quem, em 41 anos de vida, deixou uma obra com 17 volumes: livros de memórias, artigos de jornal que radiografaram criticamente seu tempo, um romance não concluído e uma vasta e importante correspondência. E o essencial: pelo menos três dos seus cinco romances são fundamentais em nossa literatura.

A esperança dança
Na corda bamba, de sombrinha,
Em cada passo dessa linha
pode se machucar...
Azar...

 Isso é verdade: inúmeras vezes, sua esperança-equilibrista tinha escorregado da corda bamba em que o escritor vivera. E tinha se machucado. Azar? Não, consequência natural de quem escolheu arriscar tudo – o pensamento, a alma, o corpo – em nome de uma paixão.
A história quase acaba aqui.
Quase, porque 48 horas depois da morte de Afonso Henriques de Lima Barreto, o pai, que não chegou a ver o filho com anel de doutor, entrava em agonia para morrer.

Do seu último momento de lucidez brotou a pergunta:

- Que foi que aconteceu? Afonso morreu?

Sim, Afonso morreu. Fica Lima Barreto.

terça-feira, 25 de julho de 2017

O amor que me navega...

Garoeiro – Natal, RN, 25 de julho de 2017.









No menino que fui onde navego
Pressinto minha atracação mais pura,
E singro a mesma rota na lonjura
Mas só me perco porque o rumo é cego.

E falho na aventura a que me entrego,
Proando em águas da razão segura,
Nublado aquele porto de loucura
Pois já metamorfoseei-me o ego.

Nessa eterna viagem que invento
Impede a volta da metamorfose
O mar maduro do meu pensamento.

Mas a nau do meu ser repete a dose,
Em demanda pelo caminho inverso,
Do menino que trago submerso...

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Sob o domínio dos muros...

Garoeiro – Natal, RN, 24 de julho de 2017.
















O poder de magistrados
Julga crime qualquer farra:
Apesar de apaixonados
E resistindo com garra,
Nos vimos despedaçados
Sob o canto da cigarra,
Anseios foram julgados
Ameaçadora barra
E iminentes atentados,
Pela lei que desamarra;
Nossos corpos separados,
Fez a justiça bizarra,
Os sonhos desencontrados
E o esquecimento na marra,
Mesmo a amores penetrados
Já derramando da jarra,
A que os réus sentenciados,
Contra a paixão que os agarra,
Mantenham-se isolados
Pois o bem de amar esbarra
Nos muros delimitados,
E a lição que o Tempo narra
Amores bons derrotados...

domingo, 23 de julho de 2017

Mistério do Amor

Garoeiro – Natal, RN, 23 de julho de 2017.

















Quem ousa mergulhar no amor bem fundo,
Vai respirar nas águas da Beleza,
Contrariando as normas da represa,
Porque quem ama contraria o mundo.

Quando vive, feliz, o bem profundo,
Tudo se torna prova de grandeza,
Engrandecida qualquer vil baixeza,
Bem a nobreza de um quarto imundo.

Pois liga amar cegueira luminosa,
A iluminar anseio, aspiração,
Que satisfaz, sem realização.

Cuja verdade tão misteriosa,
Está, quiçá, no querer lá embutido,
Um querendo ser, sem jamais ter sido...

sábado, 22 de julho de 2017

Para que serve a Poesia?





La poesía sirve para algo, pero no sé para qué, dijo alguien que prefirió dejarnos la puerta abierta. Tal vez la pregunta nos lleva a otra no menos importante: ¿Para qué sirven los sueños? La poesía es el territorio de la creación y el vaticinio, espacio donde se suspende temporalmente la incredulidad.

Lo cierto es que cada año se reúnen poetas de toda Cuba en Pilón, un pueblo costero que hizo un nido entre el mar y la montaña en la llamada Ensenada de Mora.

El evento

Al Sur está la poesía es un viaje a la semilla de la palabra que baja de los montes con el perfil de las jatías y las pitajayas. El poeta lleva el verso pero recoge la palabra desnuda de adjetivos sin merodeos de artificios porque por aquellos lares se dice amañaneando por amaneciendo, norteando por viento norte, garganteado por gritar, dolor desconsola’o por dolor de barriga, y así una lista interminable que enriquece la cocina del lenguaje.

Desde hace 25 años se celebra el festival. Con los versos bajo el brazo se visitan centros de trabajo, comunidades, debates teóricos, vigilias poéticas. Un grupo de «locos malos de magia» que conformaron la simiente del Grupo Sur, fueron los dadores de vida de este proyecto que ahora es un movimiento que alza los mejores valores de la cultura, la identidad y ese puente de asombros que une a la gente.

La poesía se entreteje con la ecología y la historia en una especie de cofradía natural que se aferra al espíritu de las comunidades como el árbol a la piedra de las lomas harta de palmas y de caminos.
En los primeros días de junio, Al Sur… volvió con sus guitarras garganteando el último verso. A Dos Bocas se fueron los poetas con Alex Pausides para conocer los aires de la tierra donde nació Malo de Magia, uno de los cuadernos poéticos más auténticos de nuestra poesía, allí está el Génesis de la palabra comparada con Martí nombrando las cosas en el Diario de Campaña.
La gente humilde y laboriosa de aquellos campos pone sobre la mesa todo los olores de las frutas y los dulces, el Pilón deja caer los golpes sobre el café tostado hasta convertirlo en polvo y oloroso chorrito saliendo por el colador de saco; y todo ocurre tan cerca de aquellas montaña donde el Che Guevara pidió que dieran una tacita de café a Ofelia Arcís que se había desmayado al ver los harapos de siete sobrevivientes del Granma. Historia, poesía, gesto humano y hospitalario ruedan por aquellos lugares a pesar del polvo y del ingenio de azúcar tendido en el silencio de la única torre que todavía se alza.
Frente al mar, Tony Borrego, poeta tunero improvisa unos versos: «El mar es más viejo que yo /se me ha secado adentro…», no tiene que decir más, basta el epigrama que recoge el misterio de las palabras y la fuerza que merodea en el alma cotidiana de las cosas.
El evento Al sur está la poesía nos confirma la verdad lanzada alguna vez por la ferviente martiana y poeta Fina García Marruz: «Los verdaderos poetas son los que no escriben versos, el canario que canta en el balcón, la hermana que cose en la habitación, la bocanada de brisa que entra cuando abrimos la puerta, porque todos son servidores de luz». La poesía nos revela que más allá de los intentos colonizadores de vaciarnos la ternura, es útil para alimentar el fuego de la palabra indígena, la del sentido común, la nuez de donde vienen los ríos, la poesía nos dice que es necesario crear desde las manos y la garganta el acto de juntar la belleza y la justicia.

*Profesor de la Universidad Jesús Montané Oropesa. Isla de la Juventud.

A poesia deve servir para alguma coisa, mas não sei para que, disse alguém que preferiu nos deixar a porta aberta. Talvez a pergunta nos leve a outra não menos importante: para que servem os sonhos? A poesia é o território da criação e da profecia, espaço onde se ergue ao mesmo tempo a descrença.

A verdade é que a cada ano poetas de toda Cuba se reúnem em Pilon, uma cidade costeira que fez um ninho entre o mar e a montanha, na chamada Enseada de Mora.

O evento

Al Sur está a poesia é uma viagem na semente da palavra que desce das montanhas com o perfil das jatías e pitajayas. O poeta conduz o verso, mas recolhe a palavra nua de adjetivos sem divagações de artifícios porque nessas casas se diz amanhando em lugar de amanhecendo, norteando por vento norte, garganteado por gritar, dor desconsolau por dor de barriga, e assim uma lista interminável que enriquece a cozinha da linguagem.

Há 25 anos se celebra o festival. Com os versos embaixo do braço se visita os locais de trabalho das comunidades, debates teóricos, vigílias poéticas. Um grupo de "loucos maus de magia" que constituíram a semente do Grupo Sul foram os doadores de vida a deste projeto que agora é um movimento que impulsiona os melhores valores da cultura, a identidade e essa ponte de assombros que junta as pessoas.

A poesia se entrelaça com a ecologia e a história numa espécie de confraria natural que se agarra ao espírito das comunidades como a árvore à rocha nas colinas cheias ​​de coqueiros e estradas.

No início de junho, Al Sur ... surgiu com seus violões garganteando o último verso. Ao Dos Bocas seguiram os poetas a Alex Pausides para conhecerem os ares da terra natal de Malo Magia, um dos mais autênticos livros da nossa poesia, onde está Génesis da palavra que lembra Martí dando nomes às coisas no Diario de Campaña.

As pessoas humildes e trabalhadoras desses campos botam em cima da mesa todos os aromas de frutas e doces, o Pilão soca o café torrado até reduzi-lo a um cheiroso pó que sobe fora do filtro coador; e tudo acontece bem perto daquelas montanhas onde Che Guevara pediu que dessem uma xícara de café a Ofélia Arcís que havia desmaiado ao ver os trapos de sete sobreviventes do Granma. História, poesia, gesto humano e hospitaleiro rolam por ali apesar da poeira e do engenho de açúcar deitado no silêncio da única torre que continua de pé.

Diante do mar, Tony Borrego, poeta tunero improvisa versos: "O mar é mais velho que eu /ele me secou por dentro...", não tem que dizer mais, basta o epigrama que recolhe o mistério das palavras e a força que permeia a alma cotidiana das coisas.

O evento Al Sur está a poesia confirma a verdade lançada um dia pela verve martiniana e o poeta Fina García Marruz: "Os verdadeiros poetas são os que não escrevem versos, o canário que canta na varanda, a irmã de costura em casa, o sopro da brisa que vem quando abrimos a porta, porque todos são servidores de luz". A poesia nos revela que para além dos propósitos colonizadores para esvaziarmos a ternura, essa utilidade alimentando o fogo da palavra indígena, a chama do senso comum, da noz de onde vêm rios, a poesia nos fala dessa necessidade de se criar a partir das mãos e da garganta o ato de juntar a beleza e a justiça.

* Professor da Universidade Jesús Montané Oropesa. Ilha da Juventude.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

A arte de ser juiz
















Jorge Adelar Finatto (*) – Passo dos Ausentes, Rio Grande do Sul, 2 de julho de 2011.


Ser um bom juiz resulta de um tipo de sabedoria que não se aprende somente em livros técnicos. Nem decorre de uma progressiva conquista de graus acadêmicos. É algo maior e mais profundo.

O juiz que fará bem a seus semelhantes e trabalhará pela dignidade da vida, ao contrário de complicar e piorar as coisas, será aquele capaz de ouvir e respeitar as pessoas nas suas intransferíveis circunstâncias.

A justiça começa nas relações mais simples do dia a dia, em casa, na rua, no ambiente de trabalho, em comportamentos éticos que são, na aparência, bastante prosaicos, mas que acabam construindo todo o resto.

Amar as pessoas e a justiça é a condição primeira para ser juiz.

Não se ingressa na magistratura pensando no status da profissão, no valor do subsídio, nas garantias que cercam o cargo - que visam a proteger a sociedade e não a pessoa do juiz. Esses atrativos são insuficientes para manter alguém que não é do ramo na função. Dedicação, capacidade de renúncia, entusiasmo, reflexão e estudo permanentes são algumas das exigências.

A magistratura é a típica atividade que se destina a mulheres e homens com vocação, que buscam no ideal de bem servir a sua realização.

Pelo menos três pilares são fundamentais na formação do juiz: ética, humanismo e técnica.

Quando é que alguém se torna juiz? Muitos acham que isso ocorre quando o candidato é aprovado no extenuante concurso público, é nomeado e toma posse no cargo. Mas não é elementar assim.

A pessoa torna-se magistrado muito tempo antes do concurso. O que realmente define quem se tornará juiz é a essência e a atitude de cada um diante da existência. A luta por uma vida mais justa e solidária está na alma do julgador. Existe uma imposição de ordem interna que o leva a decidir-se pela profissão, ainda que isto não esteja muito claro na adolescência e mesmo no início da vida adulta.

A gente se prepara para ser juiz uma vida inteira, pois todo dia é dia de viver e aprender.

Coisas como agressividade, excesso de vaidade, cinismo, indiferença e fanfarronice não combinam com a toga.

Um temperamento humilde, diferente de subserviente ou arrogante, disposto a respeitar, mais do que tolerar, as diferentes visões de mundo, é sempre muito importante. Ninguém é dono do conhecimento e da verdade.

Não existe modelo pronto de juiz. O magistrado terá de construir o seu. Por outro lado, não faltam exemplos de pessoas que dignificam o ofício.

Pensar de modo mais criativo e humanista o ingresso na magistratura, e a própria construção do Poder Judiciário brasileiro, é o desafio que temos em tempos tão difíceis.

A dura realidade exige magistrados mais participantes e comprometidos com o bem-estar da sociedade. Cada vez mais o Judiciário é chamado a decidir sobre situações que afetam a vida de todos. As dores e os dramas das pessoas chegam aos juízes a toda hora em todos os dias do ano.

A busca de uma existência mais feliz e harmônica é a razão de ser da atividade jurisdicional.

O que se pede ao juiz não é que seja um super-herói, mas que decida como um ser humano sensível, e saiba olhar com os olhos do coração, com a mesma empatia com que todos – juízes e não juízes - esperamos ser tratados nas horas difíceis.

Empatia, a sua dor no meu coração.



(*) Magistrado aposentado.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Inferno e Céu...

Garoeiro – Natal, RN, 20 de julho de 2017.












O mundo contra o sonho que me anima
Má fez-me a vida na oposição,
Vivendo a me cobrar obrigação
Útil, para lhe merecer a estima.

Essa razão que nos aceita intima,
Por exigente meio de pressão,
Perder-se o bom da vida em profissão,
Além de tudo o mais inda por cima.

Eu tive a vida inteira essa esperança,
Ultrapassar o tempo da cobrança,
Parar de só estar sendo cobrado.

Tudo o que sinto afinal, agora,
É que me pus daquele inferno fora,
Esquecido, sozinho e desprezado...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Nossa Esquerda...

Garoeiro – Natal, RN, 19 de julho de 2017.

















Ó nobre, humaníssimo ideal,
Pela Esquerda onde a vida inteira estive,
Que luta essa, que apenas sobrevive
Da mudança que deixa tudo igual?

Por ti vivi só combatendo o mal,
Contra o poder que com o mal convive,
E a única alegria que assim tive
Tinha-te à proa da histórica nau.

Que liderança tomou-te a bandeira,
Contra tudo o que a militância queira,
E no auge do combate amarela?

Fazem de tudo para não lutar,
Tudo se resume em conciliar,
Vivem da causa sem morrer por ela!

terça-feira, 18 de julho de 2017

A História é implacável...

Garoeiro – Natal, RN, 18 de julho de 2017.












Desequilíbrio todo o equilibrado
Na vida mais que tudo abomina,
Pois bem sabe que secará a mina
Se o acaso verdadeiro for pesado.

E pesa contra o falso bem tramado,
Que é o que a mídia comprada nos ensina,
Enorme peso histórico que domina,
Onde afinal é tudo revelado.

As vantagens narradas nos papiros
Causam, hoje, risadas e suspiros,
Ridículas, para nós, sem glória.

Quão ridículos, vis e odiosos
Serão tantos pretensos poderosos
Em futuro que lhes reserva a História...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Estratégia...

Garoeiro – Natal, RN, 17 de julho de 2017.










Viver sendo infeliz é ousadia,
Que não perpassa nenhuma insanidade,
Pois há no reino da infelicidade
Que me há de fazer feliz um dia.

Ouso, obtendo mínima quantia
De meus sonhos sonhados à vontade,
A abrir mão, jamais, de sua verdade,
Contrariamente à lei que os reprimia.

O bem que sobrevive resumido,
Guarda muito desejo reprimido,
Pois desejar é a vida mais gostosa.

Desejo só quer ser realizado;
Mas é naquele há muito represado,
A realização que a alma goza...

domingo, 16 de julho de 2017

Mestra!

Garoeiro – Natal, RN, 16 de julho de 2017.












Se hoje posso saber o que é paixão
Vem muito daquela oportunidade
Quando nossa diferença de idade
Transgrediu em segredo a ocasião.

Casando sua sábia sedução
E o rubor de minha precocidade,
Fomos sentindo a excitabilidade
Aos corpos dar a plena excitação.

Inebriado eu ansiava o gozo,
Inocente como um menino quer,
E ela prolongando o que é gostoso,

Amando para o que der e vier,
Pecamos do pecado criminoso,
Na aula em mim de amar a uma mulher!