sexta-feira, 2 de junho de 2017

Sete presenças

Garoeiro – Natal, RN, 2 de junho de 2017.











Meu poema é um sentimento
Que não sente nunca pouco;
Por isso, o encaminhamento
Parece me deixar louco.

Quase sempre olhando o verso,
Chamo donde comecei,
Tentando ver se converso,
O Poeta Homero Frei.

Quando a rima não prospera
E se afasta sorrateira
Mais que suave pantera,
Ouço Marly de Oliveira.

Para não sonhar por menos
À Tabacaria mando
A grandeza dos pequenos,
Fernando Pessoa olhando.

Shakespeare só, é uma escola;
Sendo eu, porém, filhote,
Vem-me afinar a viola,
Em inglês, o Eliot.

Se é raiz que examina
No fundo da rima oral
Poesia severina,
Vem chegando João Cabral.

Sempre achar mais poesia,
Mas de essência genuína,
Se a obra me desafia,
É Camões quem me doutrina.

E, por fim, nesta escotilha,
Da loucura em que me afundo,
Vejo os olhos de Cecília
Me sorrindo de seu mundo...

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