sábado, 22 de abril de 2017

Semana Ivo Barroso - divulgação


Discutindo Amor...

Garoeiro – Natal, RN, 22 de abril de 2017.











O valor que te faz gosto,
Nunca a mim nada apetece:
Amar sob pressuposto,
A lei do Amor desconhece.

Teu “de volta”, sobreposto,
Sua essência desmerece:
No troca-troca suposto,
O prazeroso esmorece.

Nada esperei ver reposto
De imposto que amar padece:
Faz querer de Amor o oposto,
Compensar o que oferece.

Fogo de amor é composto
Só da entrega que acontece:
No incondicional exposto,
Sua chama queima e cresce.

A cobrança do amor posto
Põe a troca antes que o desse,
E evita sofrer desgosto,
Na ilusão que Amor tivesse...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lixeira da História

Garoeiro – Natal, RN, 21 de abril de 2017.











Nos lentos documentos da História,
O dom essencial é insubmisso:
A trama disfarçada em seu feitiço,
Porá desmascarada e ilusória.

Seu preciso garimpo da memória,
Naquele anseio apurador maciço,
Por mais que queira o Mal mostrar serviço,
Toda a mentira torna sempre inglória.

E apesar disso no Brasil só vejo
A corja poderosa em seu cortejo,
Praticando seus crimes no escuro

De criminosa traição da imprensa.
Sejam, embora, na versão que vença,
Lixo podre na História do futuro.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Grande Jogo...

Garoeiro – Natal, RN, 20 de abril de 2017.














Cuida, vida querida, que adoro,
E tanto de te adorar me prorrogo,
Que sinto entrando em mim em cada poro,
Notícias dum além que morro logo.

A tal além que nos avisa imploro
Um prazo a boa causa que advogo,
Que lá, de seu silêncio a mim sonoro,
Diz: “É para o Nada o jogo que jogo”...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Duas lágrimas...

Garoeiro – Natal, RN, 19 de abril de 2017.














Do nada saberás que cairão
Minhas duas lágrimas derradeiras
Que à distância te estremecerão:
Uma, a nossas penetrações inteiras,
Outra, por tua muda traição...

terça-feira, 18 de abril de 2017

Fantasias

Garoeiro – Natal, RN, 18 de abril de 2017.














Buscam, para espairecer,
Poesia, algures, tantos,
De poetas a leitores,
Tivesse a lira o poder,
Em terapia de encantos,
De alívio para as dores.

Mas, para escrever ou ler,
Só dores e desencantos
Vão parir compositores,
Que a sangrar e padecer,
Fantasiam os seus prantos
Com versos cheios de cores...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Cuidar bem dos amigos que se tem...

Garoeiro – Natal, RN, 17 de abril de 2017.
















Amizade é amor distanciado
Numa cumplicidade sem perigo;
Não se verá, jamais, desesperado,
Quem cuidou ter um verdadeiro amigo.

Requer a essência dessa boa liga
Tolerante exercício da verdade,
Que não raro entre um amigo e a amiga,
Vão fluir crises de sinceridade.

Mas, bom amigo, sobretudo ser,
É arte de saber deixar pra lá,
O que ele tanto diz que quer fazer,
E inexplicavelmente não fará...

domingo, 16 de abril de 2017

Manhã de domingo na praia

Garoeiro – Natal, RN, 16 de abril de 2017.












Na praia essa gentarada,
Nuas personalidades,
Dão à minha caminhada
Todas as suas verdades.
Tantas atrações peladas
Disparam realidades
Que sinto fotografadas
Libertas de vaidades,
Numa festa de risadas,
Pernas e adiposidades.

No espontâneo ritual,
Também vejo sem querer,
A presença eventual
Dos que são para se ver,
Com seu porte gestual
De até cego perceber.
Só que é falso o triunfal
Que os olhares hão de ter,
Pois a exibição central
Está lá para esconder.

Meu passeio ensolarado
Vê na areia onde caminha
Corpos que por um lado
Pungem na dança marinha
Num festival descuidado,
Para esticar na sombrinha,
Seu cansaço vertebrado.
Corpo a corpo, sigo a linha,
Vendo cada corpo dado,
E a alma bem quietinha...

sábado, 15 de abril de 2017

A nossa chave...

Garoeiro – Natal, RN, 15 de abril de 2017.













No embalo, devagar, adormecentes,
Almas e corpos se beijando, amávamos,
Fechando a nossa chave, entrementes,
- “Feitos um para o outro! ” – concordávamos.

Fluíam pela cama permanentes
Sonhos, naquele amor que nós nos dávamos,
Sondando nossos casos confidentes,
E do insondável vindo o que gozávamos.

Por esse me sentir para ti feito,
Esvaziando sem parar meu peito,
Eu via o teu também fluindo igual.

Só – agora – inda me sinto, apesar,
Para ti feito, sim, para te amar,
Mas foste feita para ser meu mal...

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Grande Amada

Garoeiro, Natal, RN, 14 de abril de 2017.













Vivi buscando essa mulher lendária
Que me encontrasse no meu coração
Para um prazer de ternura diária,
E da consciência da comunhão,
Sonhasse a luta revolucionária.

Seria a companheira unitária,
A deusa única da relação,
Independentemente solidária,
Mas que do fundo de sua solidão,
Quisesse a luta revolucionária.

Alma irmã e da minha contrária,
Amada com coragem e paixão,
Em plena feminilidade vária,
E do nexo dessa condição,
Travasse a luta revolucionária.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Viajante de serenata

Garoeiro – Natal, RN, 13 de abril de 2017.














Do desejo matutino,
Em meus tempos de menino,
Salvo a lembrança de Cleide;

Mais tarde, a saia rodada,
A inesquecível risada,
Sonho o rosto de Zuleide;

Suavidade cativante,
Na brincadeira dançante,
Ah, que saudade de Leide!

Já moço, em meu turbilhão,
Só tendo em masturbação,
A sedução de Celeide!

Do tempo dos amorais
Casos extraconjugais,
Verdes olhos de Nereide...

Agora, da noite esposo,
Arde um coração de idoso,
Em provocações de Neide...

Paixões de seresta extra,
Glenn Miller e sua Orquestra,
Com “Moonlight Serenade”...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Lição de rio...

Garoeiro – Natal, RN, 12 de abril de 2017.
[ Para: Mulheres que amei ... ]














À doce correnteza no remanso,
Essa canção do rio e do vento,
De estar a vê-la se cantar não canso,
Num êxtase de paz e esquecimento.

Do marulhante natural balanço,
Recuso explicação, entendimento,
Sentindo-o, embora, prêmio de descanso
Dado ao afã de andar, que é meu intento.

Da música, porém, serenamente,
Bem quieto a ouvi-la uma razão se fez,
Sobre um doer contraditoriamente,

Do que, porque não muda, não tem vez,
Pois as pedras murmuram na corrente,
Que à inércia dói demais a fluidez...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Lei da autoridade

Garoeiro – Natal, RN, 11 de abril de 2017.











Quem vive em recintos judiciários
Conhece de injustiças a verdade,
Vendo mover provimentos diários
A corrompida lei da autoridade.

Dá, ela, encaminhamentos vários,
Por direito de relatividade,
Conforme os saldos que os destinatários
Potencializam na sociedade.

Manipula o jurisprudenciado
Para o justo restar injustiçado,
E sempre impune rico criminoso.

E quando ensaia farsa justiceira,
Mais faz o crime – coisa corriqueira –
Compensatoriamente poderoso.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Obra & Projeto

Fora esse mundo à Natureza afeto,
Que há muito nos antecedeu na Terra,
Todo o demais foi antes um projeto,
Em criação que sonho humano encerra.

Preliminar querer fazer, discreto,
Que a alma de si mesma desenterra,
A História coleciona no concreto,
Em que nossa percepção mais erra.

Erra, incapaz de mergulhar bem fundo,
Resgatar o projeto oriundo,
Pai de toda a aparência sensível.

Requer sentir o mundo essa cautela,
Que toda a coisa, indiferente ou bela,
Revela uma vontade invisível!

domingo, 9 de abril de 2017

Alma de poeta

Garoeiro – Natal, RN, 9 de abril de 2017.












Meu anseio de amar realizado
Nesta satisfação controvertida,
É a sensação que trago sempre ao lado,
Na paz que conquistei em minha vida.

Constar que exagerei no procurado,
Na experimentação que amar convida,
Foi mais por preferir que o encontrado
Ultrapassasse a troca conhecida.

Porém no bem que vou vivendo agora,
Mantendo esta rotina sossegada,
Um sentimento, de repente, aflora,

Para negar a paz realizada,
E em poesia dentro d’alma chora,
Minha fome de amor desesperada...

sábado, 8 de abril de 2017

Minha prece

Garoeiro – Natal, RN, 8 de abril de 2017.













Caso ouvisse minha prece
Um Deus vivo que existisse,
Extinguiria a Quermesse
E o poder da dinheirice,
Converteria onde houvesse
Ao que é toda a crendice,
Lavrava amorosa messe,
A que todo o mundo visse,
Mostrando que ao que padece,
Pouco embora consumisse,
Falta o excesso que abastece
Com fausto à parasitice
Que tudo explora e empobrece.
E, assim, findo o que impedisse
Que o Futuro, enfim, comece,
O Grande Deus, se existisse,
Tudo o que a gente tivesse
A rir que o distribuísse
E à Humanidade se desse,
Da alegria que nos risse,
Diria, na minha prece,
Voz que verdade arguisse:

- “Querei, vós, que acontece! ”

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Jogadores

Garoeiro – Natal, RN, 7 de abril de 2017.













Depois doutra insistência a desistência,
A piorar tudo o que está por vir,
Que o longo sacrifício da existência
É um jogo de insistir e desistir.

Perdendo ao rebaixar a preferência,
Cheiinha de certezas de subir,
O descarte renova a evidência
Que é do adversário o porvir.

Desistente que perde dá resposta,
Renovando por baixo a sua aposta,
Mantendo seu lugar no grande rolo.

Sem perceber que resumida a vida,
É a gente ficar sem a desistida,
Vivendo no intervalo do consolo...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Devedor confesso

Garoeiro – Natal, RN, 6 de abril de 2017.

















Se aos meus versos me quisessem,
Vindo a me achar no que escrevo,
Novos rumos encontrassem
Pelas vias desse trevo,
Se suas bocas cantassem
Junto o coro a que me atrevo,
E em fantasia dançassem
Os carnavais de meu frevo,
Os amigos mais tivessem
Desse afeto que lhes devo...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Asco

Garoeiro – Natal, RN, 5 de abril de 2017.

















És mais um que meu coração detona,
Vindo a aderir agora espertamente,
A esses podres domínios do presente,
Ao discurso que a grande escória abona.

Essa louva que teu texto aprisiona,
À corja do poder, benevolente,
Há-de te promover, naturalmente,
Já que o que o povo sofre excepciona.

Eu sei que sabes pelo que soubemos,
De todo o mal que tanto combatemos,
E agora a nos trair, covarde, ensinas.

Mas meu asco de tua esperteza
Ajuda a manter a chama acesa
No pobre coração nestas ruínas...

terça-feira, 4 de abril de 2017

O vírus

Garoeiro – Natal, RN, 4 de abril de 2017.















Se olharmos de ver, o mundo real
É todo um festival de aparências
Que os ricos vão fazendo desigual
Em prol de suas próprias conveniências.

Nem de enxergar milhões passando mal,
Em vis e desumanas existências,
Convence o mundo que é estrutural
A causa oculta destas más vigências.

Um bem a poder de dinheiro feito,
E o culto da riqueza tão aceito,
Mesmo a pobre desigualdade abona.

Sem combate, mas adesão havendo,
Cresce mais nos ricos enriquecendo,
Letal vírus que nos infecciona.