domingo, 19 de março de 2017

POR QUE NÃO VEIO O ESQUECIMENTO


(Canindé-CE, 21/05/1905 — Rio-RJ, 06/08/1987)













Tudo na vida passa:
a inquietude, a esperança, o desalento,
a dor de recordar um funesto momento
que, no nosso destino, amargas sombras traça...

Tudo, no mundo, a gente esquece:
o ódio que alguém nos inspirou,
a melancolia de um pôr-do-sol,
a ternura mansa de uma prece,
a própria angústia que parece,
às vezes, não ter fim...

A vida é feita assim:
de doces resignações, de esquecimentos,
de renúncias, de sofrimentos
cicatrizados pelo tempo...

Não sei porque não a esqueci
em tantos anos de separação!
Meu tranquilo coração
ainda pensa em você,
ainda a espera, ainda a vê
na saudade e no enlevo do passado...
Minha suave esperança inatingida,
você é a minha vida
e a vida não se esquece...

Um comentário:

  1. Considero marcante este poema e fico satisfeito em saber da divulgação de Martins Capistrano através do seu blog que me passou informações por mim desconhecidas acerca do autor. Sem dúvida um resgate de suma importância para a literatura brasileira.

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