domingo, 17 de dezembro de 2017

Árvores de Natal...

Garoeiro – Natal, RN, 17 de dezembro de 2017.













Desperta essa ilusão que ano acaba
Nova ilusão de ano bom chegando,
Presente e faz de conta revezando
A vida picada de mamangaba.

Faz parecer que a frustração desaba
Na interrompida dor continuando,
E com Papai Noel sempre voltando,
Resolvesse a desesperança braba.

Embora alegremente festejada
A pausa falsa não resolve nada,
A perdurar mesmo um dezembro inteiro.

Se nada muda a partir de janeiro,
É da mudança a única verdade,
Mais sofrimento em continuidade...

sábado, 16 de dezembro de 2017

Ao fim da vida

Alceu Wamosy – (1895 – 1923) – Revista Fon-Fon, dezembro, 1913.
[ Para: Raul Pederneiras]











Quando um último sonho a alma deixando zarpa
Em procura de outra alma, em busca de outro ninho,
Encontram nossos pés sangrando no caminho,
Cardo por sobre cardo e farpa sobre farpa!

Os dias são sem sol... À noite o luar de arminho
Veste de uma mortalha a dolorosa escarpa...
E o romeiro infeliz soluce embora ou carpa,
Ashavero da mágoa, há de seguir sozinho!

E se um dia quiser volver o olhar tristonho,
Buscando a sombra exul do derradeiro sonho,
Que se esbate na bruma – o olhar cheio de pranto

Somente avistará pelo caminho andado,
As ilusões enchendo as tumbas do passado,
No silêncio e na paz de um vasto campo santo...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Mecauto...

Garoeiro – Natal, RN, 15 de dezembro de 2017.
[ Para: Ruy, no seu aniversário... ]











Usar todo dia assina
Nas teias do mecanismo
A inevitável ruína
Do urbano automobilismo,
Por isso, nossa Oficina.

Cada peça que maquina
O sincrônico batismo
Poderá virando a esquina
Grimpar o seu organismo,
Tendo de vir à Oficina.

Automóvel é rotina
De intenso metabolismo
Onde um grão de areia mina
A fluidez do maquinismo,
Reparado na Oficina.

Pus no amor dessa doutrina,
Fiel profissionalismo
Que um conserto determina,
Mas com gosto e humanismo,
Nesta festa de Oficina...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Natal

Olegário Mariano – (1889 – 1958) – Revista Fon-Fon, dezembro, 1909.

















Céu azul, tão azul que parece lá no alto
O reverbero azul de uma grande turquesa.
Como estranha canção numa voz de contralto,
A alma do vento canta... É a voz da natureza.

Natal. Nasceu Jesus. Dos montes de cobalto
Desce um coro que lembra o coro de uma reza.
Anda um frêmito, uma ânsia, um anseio, um sobressalto
Pelas folhas, pelo ar, de devesa em devesa.

E enquanto estruge o canto estridente dos galos
E a estrela do pastor banha campos e valos
Com esquisito fulgor de enorme candelabro,

O Menino-Jesus de olhos langues, parece
Que sonha, que se embebe e adormece... Adormece
Com a amargura infeliz desse mundo macabro.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Facebook está rasgando a sociedade











Facebook está rasgando a sociedade
David Meyer – Revista Fortune, 12 de dezembro de 2017.

No mês passado, o ex presidente do Facebook, Sean Parker, expressou temores sobre o que a rede social está "fazendo com os cérebros de nossos filhos". Ele foi desenvolvido para ser viciante, disse ele, descrevendo o Facebook como um "loop de feedback de validação social" que explora fraquezas no psiquismo humano.

Agora, outro discípulo do Facebook expressou o seu profundo pesar pelo envolvimento no trabalho da empresa. Desta vez, é o capitalista de risco Chamath Palihapitiya, ex-chefe de crescimento de usuários do Facebook, que disse à Stanford Graduate School of Business que ele sente "tremenda culpa" pelo papel divisório do Facebook na sociedade, o que teria sido explorado por agentes russos na eleição dos EUA no ano passado.

Ele acrescentou que o Facebook incentiva "popularidade falsa e frágil", deixando os usuários se sentindo vazios e precisando de outro hit, e sugeriu que esse "círculo vicioso" leva as pessoas a manter compartilhamento de postagens, com o que eles acham que obterão a aprovação de outras pessoas.

Palihapitiya, que hoje é o CEO do Capital Social, fez as declarações no mês passado, mas elas só apareceram na mídia nesta semana.

"Mesmo que nós fingíssemos conforme a onda atual, tipo assim: "Não há, provavelmente, consequências muito ruins que não estão previstas”, eu penso o oposto: causando profundas e profundas recessões de nossas mentes, sabíamos que algo ruim poderia acontecer", ele disse. "Criamos ferramentas que destroem o tecido social de como a sociedade funciona. É a pura verdade disto a que aqui chegamos".

Palihapitiya lembrou o exemplo de como rumores espalhados pela WhatsApp na Índia levaram ao linchamento de sete pessoas.

"Se você alimenta a besta, essa besta irá destruí-lo", pontuou Palihapitiya à sua audiência. "Se você a derruba, temos a chance de controlá-la e enquadrá-la. Quero dizer que chegou a hora de as pessoas fazerem uma difícil pausa no uso de algumas dessas ferramentas, nas quais a gente tanto confia. As respostas de feedback de curto prazo, por impulsos na dopamina, que criamos estão destruindo a forma como a sociedade funciona. Não há nenhum discurso civil, nenhuma cooperação, só desinformação, mentira ".

Ele acrescentou que este é um "problema global" e não apenas sobre anúncios em russo.

"A solução para mim é que a gente simplesmente não use mais essas ferramentas", disse Palihapitiya. "O que não fiz em tantos anos. Isso criou uma enorme tensão com meus amigos ... acho que me querem sempre programado”. Ele afirmou, também, que não permite que seus filhos usem redes sociais.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

De famosos e anônimos...

Garoeiro – Natal, RN, 12 de dezembro de 2017.
[ Para Ayresmani, pai adorado, in memoriam... ]

















Sempre está no que é noticiado
Esse mundo dos donos da excelência,
Gozando seu prestígio de excludência
Perante o resto desprestigiado.

De ver só para eles ser louvado
O que há na cultura e na ciência,
Desdenham-se sem mais de sua essência
Os pobres criadores do avançado.

Nas rodas intelectualizadas
A lógica das louvações trocadas
É garbo que se retroalimenta.

Porém, a multifacetada História,
Que vai forjar a verdadeira glória,
Dessa gente sem rosto se sustenta.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Naquele pratinho frio da vingança...

Garoeiro – Natal, RN, 11 de dezembro de 2017.

















Fortunas de teu reino conjugal,
Onde senti-me o tempo todo escrava,
Guardaste cem por cento do total,
Cuidando do final que te aguardava.

De mãe num casamento infernal
Que minhas mãos lavava e cozinhava,
Enfermeira aqui estou em teu final,
Vendo o mal de quem me martirizava.

Pulmão que não te deixa respirar,
Balão de oxigênio sem parar,
O mundo inteiro é esse quarto, agora.

Mas o que anseio e me fará vingada,
É por teu bem me interrogar cansada:
- Rei do Inferno, por que tanta demora?