terça-feira, 23 de janeiro de 2018

2018 em chamas!

Garoeiro – Natal, RN, 23 de janeiro de 2018.
















A fé que minh'alma areja
É mais que fogo de palha,
Pois a luta que ela enseja
Neste julgamento calha
Com valor que não se peja
Perante uma corte falha.

Urdida em fraude sobeja,
A acusação me avacalha;
Minha honra apedreja,
Minha vida estraçalha;
Em ódio aberto festeja
O atraso minha mortalha.

A arbitragem da peleja
Desde o início se atrapalha
Nas delações que fareja,
Nas prisões que agasalha,
A que não me reeleja
A legião que trabalha.

Não há o que justiça veja
Sobre o fio da navalha.
Quando o juízo despeja
Nas palavras que embaralha
Contra o réu o que deseja,
Já Themis joga a toalha.

Bem disfarçado que esteja,
O jus próprio à lei encalha
Quando a mídia rumoreja
Interpretação canalha,
Com boato na bandeja
Valendo o que o fato valha.

Por mais injusta que seja,
A sentença não detalha
A maldade que corteja:
Das maldições dessa malha,
A mais triste é a inveja,
Que enfrento nesta batalha...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

IURD

Garoeiro – Natal, RN, 22 de janeiro de 2018.











Ou alma desesperada
No imenso mar sem um cais,
Ou fortuna cobiçada
Por condutas imorais,
É o resumo da manada
Que a cruzes universais
Exulta a fé faturada
Com seus crimes infernais.

Se é roubar gente enganada
A oração que ali se faz,
Vendendo a essência fraudada
No culto de quem dá mais
Por milhões acompanhada,
Mostrais demos divinais
Mesmo às pedras da calçada,
Só que a mim, nunca, jamais!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Moda

Garoeiro – Natal, RN, 21 de janeiro de 2018.













Sofro um assédio mortal
De lhes experimentar,
Na calçada ou no quintal,
A moda de se drogar.

Sob consumo geral
Onde tenho de morar,
A droga é medicinal,
Muitos vão ao seu altar.

Não por evitar o mal,
Eu os cuido de evitar:
Sei que dependência é grau
Que a química habituar.

Que o hábito é natural,
Nem faz mal se viciar:
A questão essencial
É não ter como parar...

sábado, 20 de janeiro de 2018

Pour notre avenir...

Garoeiro – Natal, RN, 20 de janeiro de 2018.












Ó vós, desse além longe, meus leitores,
Creiais, jamais, do que dizem meus versos,
Relatores de eu ver tempos perversos,
Que eu só vivi na dor de minhas dores.

Sentir tudo doer desde os alvores,
Vivendo de valores submersos,
Se asfixia bons sonhos aspersos,
Caleja-nos os sonhos amadores.

Dos cem por cento de meus desamores,
Vivi, talvez, noventa e nove emersos
No amor bom dos humanos universos,
Com seus humanos bens compensadores.

O literário servo aos seus senhores,
Quando reúne reptos dispersos,
Evita como, um dia controversos,
Votos de bem ou mal por seus amores?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Minha cremação

Garoeiro – Natal, RN, 19 de janeiro de 2018.
[ Para: Melena, de primeira, tão adorável, a última, imperdoável... ]












Em nossas vidas nosso amor foi grão,
Pomar que não passou de sementinha:
Fiquei sem nada só pela união,
Pelo prazer que junto a ti me vinha.

Bem cedo a praga da separação
Vinda de inveja, a sua erva daninha,
Impõe a mim e a ti a solidão,
Onde um jardim de amor é uma plantinha.

Já sem te permitir me ouvir, embora,
Teu exercício solitário agora,
Funérea solidão vai preparando.

Mas se o que agora sou será queimado,
Todo o amor que te dou sem ser amado
Há de seguir nas cinzas se espalhando...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Aos herdeiros...

Garoeiro – Natal, RN, 18 de janeiro de 2018.

















Bem que em mim mantenho forte
Dá a patrimônios diversos
Bem desdenhosa fiança:
Para mim o bom suporte
Quanto a bens incontroversos
Flui no bem de sua usança.

Que a herdeiros reconforte
Legado de cofres tersos:
No transporte da esperança,
Já vos dou com minha morte
Só a fortuna de meus versos,
Vaga esperançosa herança...

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O sentido da vida

Garoeiro – Natal, RN, 17 de janeiro de 2018.












Dispuseram poder ser resumido
Melhor na busca da felicidade,
O que seja da vida o seu sentido
Humano, acima da desigualdade.

Na longa busca o sonho preferido
É a gente amar como prioridade,
Que o mundo impede venha a ser ungido,
Impondo a sua injusta realidade.

Nessa frustrante salvação de amor,
Renhidos de experimentar a dor,
Porém, sem ver a justa equivalência,

Nem consagrada a reciprocidade,
Cuidamos muito de sobrevivência,
Mas muito pouco da felicidade...